1 de Outubro de 2008. Primeiro dia de grupos. Fim de tarde. Nem muito frio, nem muito calor. À minha volta há uma multidão de pessoas. Todas desconhecidas, todas alegres, todas diferentes daquilo que sentia naquele momento. Sentia-me absolutamente perdida. A confiança e firmeza com que tinha caminhado até à paróquia do Campo Grande já não as tinha comigo. Em seu lugar surgira um medo, um medo terrível de quem entra num sítio desconhecido. Então paralisei, um instante de paragem, de hesitação, de quase voltar atrás, um momento que... passou. Não sei se foi uma música, se várias, se foi simplesmente por ouvir cantar, que aos poucos me fui sentindo aconchegada. Ver que todas aquelas pessoas cantavam o mesmo, diziam e sentiam o mesmo, deu-me coragem, força e vontade de caminhar. E assim, ainda a tremer de medo, coloquei-me na roda… Quando dei por mim estava a cantar também. Cantar foi o primeiro passo. Ao cantar senti-me a dizer "Olá Pai", ainda que com uma voz trémula e baixinha. Logo a seguir, de uma forma quase inconsciente, comecei a dançar, a saltar, a bater palmas e a conversar com a pessoa ao meu lado, era como se dissesse "Estou aqui Pai". Vários passos foram dados nesse dia e cantar e ouvir cantar foi uma ajuda preciosa para me impedir de voltar atrás. Mas a caminhada continuou e era-me pedido mais.
Pouco a pouco, a Seu tempo, Ele disse-me o que fazer, como que um sussurro ao ouvido, sem o ser, porque Deus age através de pessoas concretas e acções vivas. Um amigo apresentou-me o coro. E eu... fui. Acho que ainda tinha algum medo "Quem não o tem?". Mas tal como cantar me tinha dado as boas-vindas, naquele primeiro dia, também eu tinha agora de retribuir a quem chegasse, a quem precisasse de escutar e sentir Deus. Pouco a pouco o coro começou a ser outra casa, é tão bom saber que na nossa vida podemos ter tantas casas! Lá sinto-me bem e feliz! Porquê? Porque a cantar posso marcar a vida das pessoas, mudá-las, torná-las mais felizes. E assim ser eu mais feliz, mas principalmente fazê-Lo, a Ele, mais ainda! A cantar chamamos e animamos a comunidade. Parece que dizemos : "Não és único na tua fé, há uma comunidade, há um conjunto de pessoas, que tal como tu, querem tornar este mundo melhor, e cantam o mesmo". É como se tudo ficasse mais fácil de entender e compreender. Levamos alegria, amor, mas principalmente levamos Deus. O mais estranho em tudo isto é que o contributo que nós damos à comunidade começa e prolonga-se essencialmente em nós! Porque a cantar sinto-me tão bem-vinda à Sua casa e a Ele, como naquele primeiro dia de grupos. 31 de Janeiro de 2009.
Leonor Ramalho, Passo-a-Passo